Helen Duncan: A Última Bruxa da Grã-Bretanha

Saudações da Bruxa! Como vocês estão? Eu estou muito bem! Hoje vamos falar de Helen Duncan, a última bruxa da Grã-Bretanha. 

Em pleno século XX, quando o mundo já se preparava para enviar o homem à Lua, uma mulher escocesa foi julgada e presa sob a acusação de... bruxaria. Seu nome era Helen Duncan — médium espiritualista, controversa, misteriosa, e para muitos, a última vítima de uma lei arcaica que já deveria estar enterrada com a Idade Média.


Quem foi Helen Duncan?

Helen Duncan nasceu em 1897 em Callander, na Escócia. Desde jovem, dizia-se capaz de comunicar-se com os mortos. Ela afirmava que espíritos se materializavam por meio de uma substância conhecida como ectoplasma, emitida por seu próprio corpo durante sessões mediúnicas (os famosos "círculos espíritas" da época).

Suas sessões atraíam atenção tanto de fiéis quanto de céticos. Em um Reino Unido ainda profundamente dividido entre tradição cristã, ceticismo científico e o fascínio por fenômenos paranormais, Helen tornou-se um ícone — e, ao mesmo tempo, um problema.

A sessão que mudou tudo

O que transformou Helen de médium popular a ameaça à segurança nacional foi uma sessão ocorrida em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial. Durante o transe, ela teria recebido o espírito de um marinheiro chamado "Sailor Sid", que revelou o naufrágio do HMS Barham, navio da Marinha Real Britânica — um desastre ainda mantido em segredo pelo governo britânico na época.

Isso alarmou as autoridades. Como uma médium sem qualquer vínculo com os militares poderia saber dessa informação secreta? Teria ela algum informante? Ou seria, de fato, uma verdadeira sensitiva?

Acusada de bruxaria em 1944

A resposta do Estado foi contundente: Helen Duncan foi presa e levada a julgamento no tribunal de Old Bailey, em Londres, sob o anacrônico Witchcraft Act de 1735 — uma lei criada no século XVIII para criminalizar a alegação de prática de bruxaria.

Helen tornou-se a última pessoa a ser formalmente condenada por bruxaria no Reino Unido.

O julgamento foi tratado com escárnio por muitos. O próprio Winston Churchill, então primeiro-ministro, teria descrito o caso como “um desperdício de tempo, dinheiro e recursos judiciais”. Apesar disso, Helen foi considerada culpada e condenada a nove meses de prisão.


Após a prisão

Após sua libertação, Helen prometeu se afastar do espiritismo, mas nunca deixou de ser acompanhada de perto pelas autoridades. Em 1956, pouco antes de sua morte, foi novamente interrompida durante uma sessão em Nottingham e acusada de violar a paz.

Helen Duncan morreu em dezembro de 1956, mas seu caso teve um impacto duradouro.

O legado de Helen Duncan

Em 1951, sete anos após seu julgamento, o Witchcraft Act foi finalmente revogado, substituído pelo Fraudulent Mediums Act, que reconhecia práticas mediúnicas e espiritualistas dentro de parâmetros legais.

Hoje, Helen Duncan é considerada por muitos como uma mártir da espiritualidade moderna. Para seus defensores, ela foi perseguida por desafiar convenções, por dar voz aos mortos e por expor verdades que o poder tentava esconder. Para os céticos, ela foi uma hábil manipuladora que explorou o sofrimento alheio.

Em 2023, grupos espiritualistas britânicos ainda faziam campanhas para limpar o nome de Helen Duncan postumamente, argumentando que ela foi condenada injustamente por uma lei obsoleta

Helen Duncan nos ensina que, mesmo em tempos de razão, o medo do desconhecido pode ser tão poderoso quanto a própria magia.

Um Beijo da Bruxa!🌠

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