Mulheres Mortas por “Bruxaria” na Tanzânia: Uma Tradição Mortal que Ainda Persiste

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O post de hoje é sobre algo que ainda acontece pelo mundo, mas especificamente na Tanzânia, o assassinato em massa de mulheres acusadas de bruxaria.

No coração da África Oriental, entre savanas e lagos deslumbrantes, a Tanzânia guarda não só belezas naturais e diversidade cultural, mas também uma realidade assustadora e silenciada: todos os anos, centenas de mulheres são perseguidas, torturadas e mortas por acusações de bruxaria.

Apesar de vivermos no século XXI, a caça às bruxas ainda é real — e, na Tanzânia, ela é um problema grave, enraizado em tradições, medos e desigualdades.


O que está por trás dessas acusações?

As acusações de bruxaria na Tanzânia não são apenas superstições isoladas. Elas fazem parte de uma construção cultural profunda, ligada a fatores como:

  • Crises sociais ou pessoais (como doenças, mortes inexplicáveis ou colheitas fracassadas),

  • Conflitos familiares ou de propriedade,

  • Estigmatização da velhice e da aparência física (especialmente contra mulheres idosas com olhos vermelhos, muitas vezes causados por infecções ou exposição à fumaça),

  • Machismo estrutural: a maioria das vítimas são mulheres mais velhas, viúvas ou sem filhos, vistas como frágeis e sem proteção social.

Em muitas comunidades rurais, a presença de um "feiticeiro tradicional" ou "curandeiro" ainda tem muito peso. Quando algo dá errado — uma criança adoece ou uma seca castiga a vila — é comum que esse curandeiro “identifique” uma mulher como responsável pelo mal. O resultado? Linchamentos, expulsões, espancamentos… e até assassinatos.

Os números assustam

Segundo a Legal and Human Rights Centre (LHRC), uma ONG local que monitora direitos humanos na Tanzânia, estima-se que cerca de 500 a 1.000 pessoas são mortas todos os anos acusadas de bruxaria, e a maioria são mulheres. A maioria dos casos acontece em regiões como Shinyanga, Mwanza e Tabora, no norte e noroeste do país.

Esses crimes raramente são investigados. Muitas vezes, a comunidade encobre os culpados ou considera a execução da mulher como um “ato de justiça tradicional”.

Histórias reais de horror

As histórias são chocantes e, ao mesmo tempo, tragicamente parecidas:

  • Em 2020, cinco mulheres idosas foram espancadas até a morte e queimadas em público, na aldeia de Meatu, acusadas de causar doenças em crianças da comunidade.

  • Em 2022, uma senhora de 70 anos foi assassinada por vizinhos que afirmaram que seus “olhos vermelhos” eram sinal de feitiçaria.

  • Em 2023, organizações denunciaram que mulheres estavam sendo caçadas por acusações falsas feitas por parentes interessados em heranças.


Resistência e esperança

Apesar do cenário sombrio, há movimentos corajosos dentro da Tanzânia tentando mudar essa realidade.

Organizações como:

  • LHRC (Legal and Human Rights Centre),

  • The Tanzania Women Lawyers Association (TAWLA),

  • E o Centro de Direitos da Mulher da Tanzânia (WILDAF)

estão trabalhando para:

  • Educar comunidades sobre os direitos das mulheres e o perigo das acusações infundadas,

  • Resgatar e proteger mulheres ameaçadas,

  • Pressionar o governo por leis mais severas contra os linchamentos e assassinatos por bruxaria.

 Abrigos secretos

Em algumas regiões, organizações criaram casas de acolhimento secretas para mulheres perseguidas, onde elas recebem apoio psicológico, abrigo e orientação jurídica.

 A luta contra o silêncio

O maior inimigo dessas mulheres talvez não seja apenas a superstição — mas o silêncio internacional.

Fora da África, poucos sabem que essas perseguições ainda acontecem. Enquanto o mundo comemora o Halloween, assiste a séries sobre bruxas ou visita cidades turísticas como Salem, centenas de mulheres reais estão morrendo todos os anos por serem chamadas de “bruxas”.

As mulheres acusadas de bruxaria na Tanzânia não são personagens de lendas. Elas têm nomes, histórias, famílias. São mães, avós, curandeiras, idosas — vítimas de um sistema de opressão, pobreza, ignorância e violência.


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